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Máquina de cardagem: o que é, características e automatização

  • Automação Industrial
  • 24 de novembro 2025

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Detalhe de máquina de cardagem preparada para uso.

Na indústria têxtil, A máquina de cardagem ocupa posição estratégica: é nela que a matéria-prima, seja algodão, fibras sintéticas ou misturas, é individualizada, alinhada e preparada para se transformar em produto final. 

Sem um processo de cardagem que não for bem controlado, toda a linha de fiação sofre impacto, resultando em variações de gramatura, irregularidades e custos elevados.

Neste post, vamos explorar essas ações fundamentais, entender por que a automação, incluindo o uso de um inversor de frequência, torna-se um diferencial competitivo, e apresentar um case real de aplicação do inversor INVT GD200A em uma máquina de cardagem industrial. 

O objetivo da Kalatec é demonstrar como controle técnico, confiabilidade e desempenho elevam o nível de produtividade e qualidade nas operações têxteis.

O que é uma máquina de cardagem? Qual sua função?

A máquina de cardagem é um equipamento utilizado na preparação de fibras na indústria têxtil. 

Sua função principal é desembaraçar, limpar, paralelizar e distribuir as fibras de forma homogênea, transformando o material bruto em uma manta contínua, chamada web, que posteriormente será convertida em mechas de fibras.

Máquina cardadora processando fibras de lã bruta para produção têxtil.
Foto 1: Cardadora processando fibras de lã bruta em um ambiente de produção têxtil.

Segundo referências técnicas do processo de carding na Wikipédia, a cardagem é considerada uma das etapas mais importantes da fiação porque:

  • remove impurezas e partículas finas,
  • separa fibras aderidas entre si,
  • alinha fibras em direção única,
  • equaliza a massa e a densidade,
  • prepara o material para alcançar regularidade na etapa de fiação.

A máquina opera com um conjunto de cilindros revestidos com guarnição metálica que trabalham com diferenças controladas de velocidade para promover abertura mecânica gradual sem danificar as fibras.

A qualidade dessa etapa é crítica porque qualquer irregularidade, como variações de velocidade, carregamento excessivo ou má sincronização, resulta em flutuações na gramatura das mechas de fibras, perda de uniformidade e custo adicional no processo posterior. Por isso, a cardagem depende fortemente de controle preciso, estabilidade mecânica e ajustes finos de velocidade.

Como funciona o processo de cardagem?

Alimentação e abertura das fibras

  • As fibras chegam em flocos ou lap e são alimentadas de forma dosada por esteira ou cilindro.
  • Cilindros de abertura reduzem aglomerados e realizam pré-limpeza.
  • O objetivo é garantir fluxo estável para evitar sobrecarga no tambor principal.

Zona de cardagem: cilindros, pistas planas e rolos

  • O tambor principal realiza abertura profunda e individualização das fibras.
  • Os flats (pistas planas superiores) removem fibras curtas e impurezas finas e ajudam no alinhamento.
  • Rolos auxiliares estabilizam a transferência e o fluxo de fibras.
  • A intensidade da cardagem depende das diferenças de velocidade entre tambor, flats e rolos.

Formação do web e transformação em sliver

  • As fibras formam uma manta contínua (web) sobre o tambor.
  • O doffer remove essa manta de modo uniforme, garantindo regularidade.
  • O web passa por condensação e segue ao coiler.
  • O coiler transforma o web em sliver e o deposita de forma organizada no recipiente.

Tipos de máquinas de cardagem

As máquinas de cardagem podem variar em configuração, capacidade e tipo de fibra para a qual foram projetadas. A seguir, uma classificação técnica das principais categorias utilizadas na indústria têxtil.

Carda cilíndrica

  • Possui um tambor principal e múltiplos cilindros auxiliares ao redor.
  • Processo contínuo, com alta eficiência de abertura e individualização.
  • Indicada para fibras curtas e médias, como algodão e fibras sintéticas de pequeno comprimento.

Aplicações: fiação de algodão, blends com poliéster, têxteis domésticos e malharia.

Carda plana (flat card)

  • Utiliza pistas planas (flats) que trabalham sobre o tambor principal.
  • Permite ação mecânica mais refinada na individualização das fibras.
  • Usada para fibras mais delicadas ou que exigem maior controle de regularidade.
  • Indicada para fibras longas, como lã e acrílico.

Aplicações: fiação de lã, fibras especiais, linhas premium.

Carda dupla (double carding)

  • Combina duas zonas principais de cardagem ou dois tambores, ampliando a intensidade do processo.
  • Aumenta a remoção de impurezas e a regularidade do web.
  • Adequada para fibras com maior contaminação ou que exigem alto grau de abertura.
  • Indicada tanto para algodão quanto para fibras sintéticas.

Aplicações: linhas de fiação de alto volume, têxteis técnicos e misturas complexas.

Cardas específicas para algodão

  • Projetadas para fibras curtas e de alta finura.
  • Guarnição metálica e cilindros otimizados para separação e limpeza intensiva.

Aplicações: fiação de algodão penteado e cardado, blends com poliéster.

Cardas para lã

  • Desenvolvidas para fibras longas, mais volumosas e com maior elasticidade.
  • Utilizam cilindros com menor agressividade e flats ajustados para preservação da fibra.

Aplicações: fiação de lã penteada, lã cardada e artigos de inverno.

Detalhe de máquina de cardagem de lã.
Imagem 2: Máquina de Cardagem de Lã .

Cardas para fibras sintéticas

  • Adaptadas para fibras como poliéster, polipropileno, viscose e acrílico.
  • Requerem controle preciso de carga eletrostática e transferência de fibra.

Aplicações: fiação para malharia, não-tecidos, enchimentos e têxteis técnicos.

Manutenção e cuidados essenciais

A máquina de cardagem opera com grande quantidade de componentes mecânicos sensíveis, sujeitos a desgaste e variação de carga. Por isso, a manutenção adequada é determinante para manter a qualidade da manta reduzir paradas e prolongar a vida útil das guarnições e dos cilindros. Os principais cuidados incluem:

  • Inspeção regular da guarnição metálica dos cilindros e flats, verificando desgaste, contaminação e nivelamento.
  • Verificação do diferencial de velocidade entre tambor, flats e rolos, corrigindo desvios que possam afetar a individualização das fibras.
  • Monitoramento de rolamentos, mancais e tensões de correias, garantindo operação suave e sem vibrações.
  • Limpeza periódica para remoção de fibras acumuladas, que podem causar sobrecarga ou instabilidade no processo.
  • Ajuste e calibração dos sistemas de remoção de impurezas, garantindo eficiência na limpeza inicial.
  • Acompanhamento das condições térmicas do motor e do tambor, especialmente em processos de longa duração.
  • Checagem dos sensores de densidade e segurança, fundamentais para evitar falhas ou sobrealimentação.
  • Registro histórico de operação (tendências de torque, vibração e velocidade), permitindo manutenção preditiva, inclusive dos inversores.
  • Aplicação correta das rampas de aceleração no inversor de frequência, evitando trancos e impactos mecânicos.

Uma máquina de cardagem bem ajustada opera com estabilidade de velocidade, menor desgaste das guarnições e maior regularidade na formação das mantas e das mechas.

 A adoção de automação e controle com inversores, como o INVT GD350A, contribui significativamente para essa estabilidade ao permitir ajustes finos, compensação de carga e monitoramento mais preciso do processo.

Tipos de automação em máquinas de cardagem

A automação desempenha um papel fundamental nas máquinas de cardagem, garantindo estabilidade, precisão e repetibilidade em etapas sensíveis do processo têxtil. Com o uso de inversores, sensores e sistemas de controle, é possível manter velocidades constantes, monitorar a qualidade da manta (web) e reduzir intervenções manuais, elevando o desempenho e a confiabilidade da linha de fiação.

Case: Aplicação do inversor INVT GD350A em Retrofit de máquina de cardagem

Introdução do case

A máquina de cardagem trabalha abrindo as fibras, eliminando impurezas e alinhando o material para a fiação. No projeto apresentado, o inversor de frequência INVT GD350A foi empregado para controlar etapas críticas da cardagem, oferecendo estabilidade e melhor desempenho operacional

Desafios do cliente

  • A alta inércia do cilindro principal exigia alto torque em baixa frequência para partida suave. 
  • A necessidade de estabilização rápida após parada, para minimizar variação de velocidade no início do processo. 
  • Exigência de controle de velocidade analógica e comunicação com PLC existente. 
  • Ambiente industrial têxtil com altas temperaturas e presença de fibras, exigindo alta robustez nos equipamentos.

Solução adotada

A partir do diagnóstico das necessidades da máquina de cardagem, envolvendo alta inércia, variações de carga e a exigência de estabilidade na formação do web. Foram definidas soluções específicas para garantir controle preciso, segurança e compatibilidade com o sistema existente. 

Nesse cenário, o inversor mais adequado para atender essas demandas foi o INVT GD350A, que oferece os seguintes benefícios na aplicação:

  • Instalação de um inversor INVT GD350A para controle da velocidade do doffer e alimentação da máquina de cardagem. 
  • Parametrização para controle vetorial aberto (V/F) com “auto-tuning” dos parâmetros do motor para melhor resposta e precisão. 
  • Configuração de rampas de aceleração e desaceleração personalizadas para proteger o cilindro cardador e flats.
  • Macros de parâmetros que permitem configurar diferentes métodos de frenagem, proporcionando desaceleração rápida e controlada dos tambores.
  • Integração da comunicação Modbus-ASCII com o PLC existente, garantindo compatibilidade operacional (opcional também para ProfiNET e Ethernet-IP) 
  • Normatização para atender Norma de Segurança NR12, TUV e CE. 
  • Proteções avançadas ativadas no inversor: sobrecorrente, subtensão, sobre temperatura, perda de fase, adequadas ao meio do ambiente têxtil. 
  •  Design de duto de ar otimizado para proteção e maior resfriamento para melhor usabilidade e a adaptabilidade ao ambiente

Resultados obtidos

A solução proporcionou maior torque de partida, controle de velocidade mais preciso e estabilidade no processo de cardagem. Houve redução das variações na formação da manta (web), menor necessidade de ajustes manuais e maior confiabilidade do sistema mesmo em ambiente têxtil agressivo. 

Outro ponto importante nessa aplicação foi a compatibilidade do GD350A com o sistema existente que reduziu o tempo de retrofit e tornou a atualização mais simples e eficiente.

Benefícios de adotar automação na máquina de cardagem

A automação na máquina de cardagem melhora diretamente a eficiência, a regularidade e a qualidade do processo têxtil. 

Com controles eletrônicos precisos, como inversores de frequência, sensores indústrias e integração com PLC, a cardagem passa a operar com maior estabilidade e previsibilidade. 

Entre os principais benefícios estão a redução de variações de velocidade, melhor uniformidade da manta (web) e da mecha (sliver), menor desgaste das guarnições e diminuição de paradas não planejadas. 

Além disso, hoje soluções Kalatec, permitem integrar a carda a sistemas digitais e recursos de Indústria 4.0, facilitando monitoramento, rastreabilidade e manutenção preditiva.

Desafios e boas práticas ao implementar automação

A automação em máquinas de cardagem exige atenção a detalhes técnicos que influenciam diretamente a uniformidade da manta (web), a estabilidade do tambor e a vida útil das guarnições. 

A implementação correta depende de ajustes finos e integração adequada entre inversor, motor elétrico e PLC. Para facilitar, veja abaixo os principais desafios e as boas práticas recomendadas:

Desafios

  • Configurar rampas adequadas para evitar impactos mecânicos.
  • Calibrar torque e velocidade para responder às variações de carga.
  • Garantir sincronização entre alimentação, tambor e doffer.
  • Integrar o inversor ao PLC existente.
  • Manter estabilidade em ambientes com poeira e alta temperatura.

Boas práticas

  • Monitorar continuamente velocidade, torque e densidade.
  • Registrar tendências operacionais para apoiar manutenção preditiva.
  • Configurar proteções elétricas e térmicas compatíveis com o ambiente têxtil.
  • Adotar rampas suaves de partida/parada para preservar componentes.
  • Utilizar inversores com compensação de carga e controle vetorial.

Conclusão

A cardagem é um processo que depende de estabilidade, controle preciso e sincronismo entre todos os componentes da máquina. 

A adoção de automação adequada, especialmente com inversores como o INVT GD350A, melhora o controle de velocidade, reduz variações e aumenta a uniformidade da manta, refletindo diretamente na qualidade da mecha e do fio produzido.

Se você deseja melhorar o desempenho da sua máquina de cardagem, reduzir variações de velocidade e aumentar a regularidade da manta, fale com a Kalatec. 

Nossa equipe técnica é especializada em inversores INVT e pode orientar desde a seleção até a parametrização completa para sua aplicação têxtil.

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Edilson Cravo

Engenheiro de Aplicação da KALATEC, 25 anos de experiência com mais de 5000 visitas únicas em Indústrias. Especializado em Automação Industrial pela USP e MAUÁ. Atuei em projetos no Instituto Nuclear Brasileiro, Embraer, Rede Globo, USP (Projeto Inspire) entre outros.

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