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Controle de qualidade industrial: o que é e como fazer

  • Automação Industrial
  • 10 de dezembro 2025

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Mulher realizando controle de qualidade em máquinas industriais.

Em um mercado industrial cada vez mais dinâmico e exigente, a qualidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito básico. 

Para empresas que buscam otimização, redução de custos e, acima de tudo, a satisfação do cliente, o Controle de Qualidade Industrial é a espinha dorsal de operações bem-sucedidas. 

Mas o que realmente define o controle de qualidade no ambiente fabril e quais são os passos práticos para implementá-lo e mantê-lo? 

Este artigo desvenda os fundamentos e as metodologias essenciais para estabelecer um sistema robusto de controle de qualidade, garantindo a excelência em cada etapa da produção e impulsionando a competitividade no setor de automação industrial.

O que é controle de qualidade industrial?

No contexto industrial, o Controle de Qualidade Industrial (CQI) é o conjunto de ações para garantir que produtos e serviços atendam aos padrões e expectativas.

É fundamental diferenciar Controle de Qualidade (QC – Quality Control) e Garantia da Qualidade (QA – Quality Assurance):

Controle de qualidade (QC)

 Controle de Qualidade é o conjunto de métodos e procedimentos utilizados para monitorar, medir e inspecionar produtos, serviços e processos, com o objetivo de identificar defeitos, variações indesejadas e oportunidades de melhoria. 

O foco do controle de qualidade está na detecção: verificar se o que foi produzido atende aos requisitos especificados. Isso inclui inspeções visuais, testes funcionais, medições dimensionais e acompanhamento estatístico em todas as etapas da produção.

Exemplo: Testar um sensor para verificar seu funcionamento.

Garantia da qualidade (QA)

Já a garantia da qualidade atua de forma preventiva. É um sistema estruturado de políticas, normas, procedimentos e auditorias que estabelece como os processos devem ser executados para evitar falhas antes que elas ocorram. Enquanto o QC olha para o resultado e identifica erros, o QA olha para o processo, padronizando práticas e prevenindo inconsistências. 

Essa abordagem reduz retrabalhos, diminui riscos operacionais e amplia a satisfação dos consumidores e parceiros.

Exemplo: Criar e seguir um manual detalhado para a fabricação do sensor.

Em resumo, podemos afirmar que a Garantia de qualidade garante que você está fazendo as coisas certas para produzir qualidade, enquanto Controle de Qualidade verifica se o que foi produzido realmente tem qualidade.

Por que o controle de qualidade é importante na indústria?

O Controle de Qualidade Industrial (CQI) é vital para a indústria, especialmente no setor de automação, por três principais objetivos:

  1. Redução de Custos 
  • Minimiza desperdícios, evitando retrabalhos, descartes de materiais e uso ineficiente de recursos.
  • Diminuir custos Pós-Venda reduzindo reclamações, garantias, reparos e devoluções.
  • Otimizar Recursos garantindo o uso eficiente de matéria-prima, energia e mão de obra.
  1. Aumento da Eficiência Operacional 
  • Padronizar processos levando à otimização de fluxos de trabalho e maior produtividade.
  • Identificar problemas rapidamente permitindo correção ágil de falhas, minimizando interrupções.
  • Melhorar as tomadas de decisão fornecendo dados para aprimoramento contínuo da produção.
  1. Elevação da Satisfação do Cliente e Reputação da Marca 
  • Garantir produtos confiáveis assegurando consistência em qualidade, durabilidade e desempenho.
  • Atender normas que garantam a conformidade com requisitos técnicos, legais e de segurança.
  • Fortalecer a reputação construindo a confiança, atrai novos clientes.

Benefícios do controle de qualidade para a indústria

O controle de qualidade na indústria garante que produtos atendam padrões técnicos, reduzindo falhas, custos e aumentando a confiabilidade, segurança e competitividade da operação. Eles se traduzem em vantagens competitivas e operacionais significativas:

Redução de retrabalho

Ao identificar e corrigir falhas nas etapas iniciais, o CQI minimiza a necessidade de refazer produtos ou componentes.

Padronização

O controle de qualidade estabelece e mantém padrões rigorosos para processos e produtos. 

Credibilidade da marca

A entrega consistente de produtos de alta qualidade constrói uma reputação sólida e confiável no mercado. 

Melhoria operacional

O CQI fornece dados e insights contínuos sobre o desempenho da produção. 

Etapas do processo de inspeção e validação do controle de qualidade industrial

As etapas do processo de inspeção e validação no controle de qualidade industrial garantem que cada fase da produção seja monitorada, verificada e ajustada para atender aos padrões definidos. 

Esse fluxo estruturado assegura consistência, reduz falhas e reforça a confiabilidade do produto.

Infográfico com etapas do processo de inspeção e validação do controle de qualidade.

Organização de Pontos de Controle e Amostragem

A organização dos pontos de controle e dos métodos de amostragem garante que cada etapa crítica do processo produtivo seja monitorada de forma eficiente, permitindo decisões baseadas em dados e assegurando a consistência da qualidade industrial.

Infográfico com pontos de controle e amostragem do processo de controle de qualidade.

Principais métodos de controle de qualidade

Os principais métodos de Controle de Qualidade Industrial (CQI) são:

  1. Controle Estatístico de Qualidade (CEQ)
  • O que é: Usa estatísticas (ex: Cartas de Controle) para monitorar processos e identificar variações.
  • Benefício: Previne defeitos, otimiza processos e garante consistência.
  1. Controle de Qualidade Automatizado
  • O que é: Emprega tecnologia (sensores, visão computacional) para inspeções rápidas e precisas.
  • Benefício: Aumenta velocidade e precisão, reduz custos e permite inspeção 100%.
  1. Controle de Qualidade por Amostragem
  • O que é: Inspeciona uma parte representativa de um lote, extrapolando o resultado para o todo.
  • Benefício: Reduz custos e tempo quando a inspeção total é inviável ou destrutiva.
Duas mulheres analisando amostras de garrafas PET com água durante o processo de controle de qualidade.
Foto 1: Duas mulheres analisando amostras de garrafas PET com água durante o processo de controle de qualidade.

Metodologias avançadas: Seis Sigma e DFSS

As metodologias avançadas de controle de qualidade visam a excelência e a inovação:

Seis Sigma (Six Sigma)

Seis Sigma (Six Sigma) é uma metodologia de gestão da qualidade focada na redução de variações e defeitos nos processos industriais e empresariais, buscando níveis de desempenho extremamente altos, equivalentes a no máximo 3,4 defeitos por milhão de oportunidades (DPMO).

Baseia-se em estatística, controle de processos e melhoria contínua, utilizando ferramentas estruturadas como:

  • DMAIC (Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar) para melhoria de processos existentes.
  • DMADV (Definir, Medir, Analisar, Projetar e Verificar) para desenvolvimento de novos processos ou produtos.

O objetivo é aumentar a eficiência, reduzir desperdícios, melhorar a qualidade e elevar a satisfação do cliente, tornando processos mais previsíveis e rentáveis.

Design for Six Sigma (DFSS)

Design for Six Sigma (DFSS) é uma abordagem proativa focada em projetar novos produtos, serviços ou processos com desempenho Seis Sigma desde a fase inicial. Seu objetivo é prevenir defeitos antes que ocorram, garantindo que a qualidade seja incorporada diretamente no projeto.

Trabalha com a metodologia DMADV (Definir, Medir, Analisar, Projetar e Verificar) utilizada quando o processo atual não é capaz de atender às metas ou quando algo totalmente novo precisa ser desenvolvido.

O principal benefício do DFSS é permitir o lançamento de produtos de alta qualidade, reduzindo retrabalhos e diminuindo custos de correção.

Ferramentas de qualidade tradicionais

As sete ferramentas da qualidade são um conjunto de técnicas gráficas e analíticas básicas, mas poderosas, utilizadas para identificar, analisar e resolver problemas de qualidade. Elas são amplamente aplicadas em diversos setores industriais para aprimorar processos e produtos:

Fluxograma

  • O que é: Um fluxograma é a representação gráfica sequencial de um processo, mostrando as etapas, decisões e fluxos de trabalho.
  • Para que serve: Ajuda a entender, analisar e documentar um processo, identificar gargalos, ineficiências e pontos de controle.

Cartas de Controle

  • O que é: Gráficos que monitoram um processo ao longo do tempo, com limites de controle superior e inferior.
  • Para que serve: Distingue variações comuns (inerentes ao processo) de variações especiais (causas anormais), indicando quando um processo está fora de controle estatístico e precisa de intervenção.

Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe ou Causa e Efeito)

  • O que é: O Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta visual que organiza as possíveis causas de um problema ou efeito em categorias (ex: Mão de Obra, Máquina, Método, Material, Meio Ambiente, Medição).
  • Para que serve: Ajuda a identificar e explorar todas as causas potenciais de um problema, facilitando a análise da causa raiz.

Folhas de Verificação (Check Sheets)

  • O que é: Formulários estruturados e padronizados para coleta de dados de forma sistemática e fácil.
  • Para que serve: Simplifica a coleta de dados sobre a frequência de ocorrência de eventos, defeitos ou características, tornando a análise posterior mais eficiente.

Histogramas

  • O que é: Gráfico de barras que mostra a distribuição de frequência de um conjunto de dados.
  • Para que serve: Visualiza a forma, a dispersão e a tendência central dos dados, ajudando a entender a variabilidade de um processo ou característica do produto.

Gráficos de Dispersão

  • O que é: Gráfico que plota pares de dados numéricos em um plano cartesiano para mostrar a relação entre duas variáveis.
  • Para que serve: Ajuda a identificar se existe uma correlação (positiva, negativa ou nenhuma) entre duas variáveis, como, por exemplo, temperatura e taxa de defeitos.

Diagrama de Pareto

  • O que é: Gráfico de barras que organiza as categorias de problemas ou causas em ordem decrescente de frequência, combinado com uma linha de porcentagem acumulada.
  • Para que serve: Baseado no Princípio de Pareto (80/20), ele destaca os poucos problemas vitais que causam a maioria dos efeitos, direcionando os esforços de melhoria para onde terão maior impacto.

Normas e certificações aplicáveis

As normas e certificações fornecem diretrizes e requisitos para o Controle de Qualidade Industrial (CQI):

Família de Normas ISO 9000 (Gestão da Qualidade)

  1. ISO 9000:
    • O que é: Fundamentos e vocabulário para sistemas de gestão da qualidade.
    • Influência no CQI: Fornece a base conceitual e terminologia comum para entender e implementar o CQI.
  2. ISO 9001:
    • O que é: Norma certificável com requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ).
    • Influência no CQI: Exige processos documentados, controle de registros, gestão de recursos e tratamento de não conformidades, estruturando e garantindo a eficácia do CQI.
  3. ISO 9004:
    • O que é: Diretrizes para a melhoria contínua do desempenho de um SGQ, buscando o sucesso sustentado.
    • Influência no CQI: Incentiva o CQI a ir além da conformidade, buscando excelência operacional e otimização contínua.

NBR 16001 (Sistema de Gestão da Responsabilidade Social)

  • O que é: Norma brasileira para sistemas de gestão da responsabilidade social (direitos humanos, meio ambiente, ética).
  • Influência no CQI: Impacta indiretamente o CQI ao promover a escolha de matérias-primas sustentáveis, melhores condições de trabalho e gestão ambiental, que contribuem para a qualidade geral e a reputação da empresa.

Integrando controle de qualidade com sistemas de produção

A integração do Controle de Qualidade Industrial (CQI) com sistemas de produção e a Indústria 4.0 é crucial para a excelência:

Conexão do CQI com Sistemas de Produção

  • MES (Manufacturing Execution System): Coleta dados de qualidade em tempo real no chão de fábrica, permitindo inspeções e feedback imediatos.
  • ERP (Enterprise Resource Planning): Integra dados de qualidade para gestão de fornecedores, estoque, custos e planejamento estratégico.
  • PIMS (Process Information Management System): Fornece dados de processo para análise de causa raiz e qualidade preditiva.
  • WMS (Warehouse Management System): Gerencia o status de qualidade de materiais no recebimento e expedição, garantindo rastreabilidade.

Integração via Indústria 4.0

  • IoT, Big Data, IA: Sensores inteligentes, análise de grandes volumes de dados e inteligência artificial elevam o CQI, permitindo detecção automatizada de defeitos, previsão de problemas e otimização autônoma de processos.

Ganhos da Integração

A integração para a adoção de normas permite que a empresa unifique processos, documentos e controles, reduzindo redundâncias e simplificando rotinas de qualidade, meio ambiente, segurança e demais sistemas de gestão. 

Essa integração também fortalece a padronização dos processos, melhora a comunicação entre áreas e amplia a capacidade de tomada de decisão baseada em dados. Ao enxergar riscos, desempenho e oportunidades de forma sistêmica, a organização ganha maior controle operacional, reduz custos e minimiza falhas. 

Como resultado, a empresa aumenta sua conformidade com requisitos normativos, reduz riscos legais e operacionais e eleva sua competitividade no mercado. 

Indicadores (KPIs) de controle de qualidade mais relevantes

Os Indicadores Chave de Desempenho (KPIs) de controle de qualidade mais relevantes são:

  • Taxa de Defeitos: Proporção de produtos não conformes. Indica a eficácia do processo na prevenção de falhas.
  • Taxa de Devolução: Percentual de produtos devolvidos por clientes. Reflete a qualidade percebida e o impacto no pós-venda.
  • OEE (Eficiência Global do Equipamento): Mede a eficiência do equipamento, incluindo a qualidade dos produtos produzidos.
  • Retrabalho: Quantidade de produtos que precisam de correção. Indica ineficiências e custos adicionais.
  • Conformidade: Percentual de produtos/processos que atendem a normas e especificações. Garante o cumprimento de padrões e requisitos.
  • Satisfação do Cliente: Grau de contentamento do cliente com o produto. É o KPI final que valida os esforços de qualidade.

Boas práticas para melhorar o controle de qualidade

Para aprimorar o Controle de Qualidade Industrial, é essencial padronizar processos e procedimentos operacionais, garantindo consistência e reduzindo a variabilidade. 

Em seguida, definir pontos de controle críticos ao longo da produção permite monitorar a qualidade em etapas estratégicas. 

Onde é viável, automatizar inspeções e coletas de dados com tecnologias como visão computacional e sensores inteligentes aumenta a precisão e a velocidade. 

Além disso, treinar e capacitar as pessoas é fundamental para que compreendam a importância da qualidade e saibam aplicar as metodologias e ferramentas corretamente. 

Engenheiro mecânico e diretor industrial da Kalatec Máquinas, Sérgio Araújo Lacerda, afirma: 

“Por fim, utilizar dados e análises de forma contínua permite identificar tendências, causas raiz e oportunidades de melhoria, fechando o ciclo para uma gestão da qualidade proativa e eficaz.”

Conclusão

Em suma, o Controle de Qualidade Industrial, ao integrar metodologias avançadas como Seis Sigma e DFSS, aplicar ferramentas tradicionais, aderir a normas como a ISO 9001, e alavancar a Indústria 4.0 para conectar sistemas e monitorar KPIs estratégicos.

O objetivo final é transformar uma função reativa em um pilar proativo para a excelência operacional, inovação e satisfação do cliente, garantindo a competitividade e o sucesso sustentável no mercado.

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Edilson Cravo

Engenheiro de Aplicação da KALATEC, 25 anos de experiência com mais de 5000 visitas únicas em Indústrias. Especializado em Automação Industrial pela USP e MAUÁ. Atuei em projetos no Instituto Nuclear Brasileiro, Embraer, Rede Globo, USP (Projeto Inspire) entre outros.

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