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Inversor de frequência com encoder: quando usar e vantagens

  • Automação Industrial
  • 23 de julho 2026

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Inversor de frequência com encoder

Quando um processo industrial exige controle fino de velocidade, posição ou torque, um inversor de frequência sozinho pode não ser suficiente. É nesse ponto que entra o inversor de frequência com encoder: uma configuração que adiciona ao acionamento a realimentação direta do movimento do eixo, permitindo um controle em malha fechada com feedback em tempo real do que está acontecendo no eixo do motor.

Neste artigo você vai entender o que é essa configuração, quando ela realmente é necessária, quais tipos de encoder são compatíveis, como definir a resolução ideal e como escolher o inversor certo para sua aplicação sem gastar mais do que precisa em sensores e eletrônica que sua máquina não vai usar.

O que é um inversor de frequência com encoder?

O inversor de frequência com encoder é a combinação de um drive de frequência, responsável por variar tensão e frequência para controlar a velocidade de um motor CA, com um encoder instalado no eixo do motor, que informa ao inversor a posição e a velocidade reais do eixo a cada instante.

Importante: a presença de uma entrada de encoder não significa que o inversor tenha controle de posição. É necessário verificar no manual se o equipamento oferece malha de posição, funções de posicionamento, entrada rápida compatível e os recursos necessários à aplicação.

Sem a realimentação mecânica do encoder, o inversor controla o motor com base nas grandezas elétricas medidas em seus terminais e em modelos matemáticos que estimam a velocidade e o comportamento do eixo. 

Com a realimentação do encoder, chamada malha fechada, o inversor passa a receber a velocidade ou a posição efetivamente medida no motor. O sistema compara continuamente esse valor com a referência programada e ajusta os comandos de tensão, frequência e corrente para reduzir os desvios e manter o desempenho esperado, mesmo diante de variações de carga.

Para entender o impacto de usar malha fechada e malha aberta em diferentes aplicações, recomendamos a leitura  malha aberta e malha fechada

Como funciona a realimentação por encoder

Na prática, o encoder gera pulsos elétricos (trens de onda quadrada ou um código digital, dependendo do tipo) conforme o eixo gira. 

Esses pulsos retornam a uma entrada dedicada do inversor normalmente uma placa ou cartão de encoder específico, já que o sinal precisa ser lido com alta velocidade e imunidade a ruído.

O algoritmo de controle vetorial do inversor usa essa informação para calcular, em tempo real, a velocidade real do eixo e o escorregamento do motor. Com isso, o equipamento ajusta a corrente e a frequência de saída para reduzir os desvios de velocidade ou torque. 

Nos inversores que possuem funções específicas de posicionamento, o feedback também pode ser utilizado no controle de posição.

Para aprofundar o tema, veja também nosso conteúdo sobre encoder na automação industrial: funcionamento, tipos e aplicações

Diferença entre inversor de frequência com e sem encoder

A diferença central está no modo de controle vetorial usado:

  • Vetorial sensorless (sem encoder): o inversor estima a velocidade do motor a partir da corrente e da tensão medidas nos seus próprios terminais, sem sensor físico no eixo. Funciona bem para a maioria das aplicações de bombas, ventiladores e transportadores simples. 

Um exemplo é o inversor de frequência GD27, fornecido pela Kalatec Automação, que oferece controle vetorial sensorless, ou seja, sem a necessidade de instalar um encoder no eixo do motor

  • Vetorial com encoder (malha fechada): Essa realimentação permite resposta dinâmica mais rápida, maior precisão de velocidade e melhor desempenho em baixas rotações e diante de variações de carga.

Um exemplo é o inversor de frequência GD350, que pode operar com placas de encoder opcionais e oferece controle vetorial em malha fechada para motores compatíveis

Para entender melhor como funciona essa tecnologia, suas diferenças em relação ao controle escalar e em quais aplicações ela é mais indicada, veja também nosso conteúdo completo sobre inversor de frequência vetorial.

Comparativo entre as tecnologias

Critério Sensorless (sem encoder) Com encoder (malha fechada)
Precisão de velocidade Boa (±0,5% típico) Alta (±0,01% típico)
Torque em velocidade zero Limitado Torque pleno garantido
Custo de instalação Menor Maior (encoder + cabeamento + cartão)
Resposta a variações de carga Mais lenta Rápida e estável
Aplicações típicas Bombas, ventiladores, exaustores Guindastes, prensas, robótica, têxtil

Como o encoder melhora o controle de velocidade e posição

O ganho não é apenas de precisão de velocidade, é de estabilidade do sistema como um todo. Como o inversor “enxerga” o eixo em tempo real, ele corrige desvios antes que se acumulem, o que é decisivo em processos em que erro de posição ou de sincronismo gera refugo, colisão mecânica ou parada de linha.

Benefícios práticos para a indústria

  • Precisão e repetibilidade: o feedback contínuo do encoder permite manter velocidade e torque dentro de tolerâncias muito mais apertadas, mesmo sob carga variável.
  • Controle de torque em baixa velocidade: alguns inversores vetoriais com encoder conseguem manter torque controlado em rotações muito baixas ou em zero rpm, desde que o drive, o motor, a refrigeração e a parametrização sejam adequados.
  • Eficiência energética: Em determinadas aplicações, a realimentação pode evitar oscilações, correções excessivas e operação fora do ponto esperado. Entretanto, o ganho energético deve ser avaliado caso a caso e não é consequência automática da instalação do encoder.
  • Menor desgaste mecânico: correções suaves e precisas reduzem picos de corrente, vibração e estresse em acoplamentos e engrenagens.
  • Diagnóstico e manutenção preditiva: Quando o sinal do encoder é registrado e analisado em conjunto com corrente, vibração, velocidade e eventos do drive, ele pode contribuir para a identificação de desvios de movimento ou perda de sincronismo, colaborando para uma análise preditiva. 

Quando utilizar um inversor de frequência com encoder?

“Nem toda aplicação justifica o custo extra de encoder, cabeamento blindado e cartão de realimentação. A decisão deve considerar a criticidade do controle de posição/torque e o custo de uma eventual imprecisão.”

A afirmação acima, é do Engenheiro Elétrico Antônio Araujo, especialista em Motion Control e Ac Drivers. 

Aplicações que exigem controle em malha fechada

  • Elevadores, guindastes e pontes rolantes, onde é preciso sustentar carga pesada em velocidade zero sem escorregamento;
  • Prensas e robôs industriais, que dependem de controle exato de ângulo e posição;
  • Linhas de impressão, extrusão e embalagem, que exigem sincronismo fino entre vários motores;
  • Máquinas têxteis, máquina de cardagem e de bobinamento, sensíveis a variações mínimas de tensão do material;

Situações em que um inversor sensorless é suficiente

  • Bombas centrífugas, ventiladores e exaustores com carga de torque quadrático;
  • Transportadores simples sem exigência de sincronismo fino entre eixos;
  • Compressores e sistemas HVAC onde a tolerância de velocidade é maior;
  • Aplicações em que o custo adicional do encoder não se traduz em ganho relevante de processo.

Tipos de encoder compatíveis com inversores de frequência

Existem dois grandes grupos de encoder usados junto a inversores de frequência:

  • Encoder incremental: gera pulsos (tipicamente em canais A, B e, em alguns modelos, Z) conforme o eixo gira. O inversor conta esses pulsos para calcular velocidade e direção. É a opção mais comum por custo-benefício, mas perde a referência de posição em caso de queda de energia.
  • Encoder absoluto: cada posição do eixo corresponde a um código digital único, que não se repete dentro da volta. Em sistemas compatíveis, o encoder absoluto permite que o controlador identifique a posição após o religamento sem depender exclusivamente de um novo “home” ,ciclo de referência a cada partida.

Alguns fabricantes de inversores também suportam encoders seno/cosseno, que entregam sinais analógicos de maior resolução para aplicações de altíssima precisão, como servoacionamentos.

Como escolher o encoder correto

Antes de especificar o encoder, verifique:

  1. Se o inversor possui cartão/placa de encoder compatível com o protocolo do sensor (incremental TTL, HTL, absoluto SSI, BiSS, seno/cosseno);
  2. A tensão de alimentação do encoder (5V, 12V ou 24V) frente à saída disponível no inversor;
  3. O ambiente de instalação, os  encoders com grau de proteção IP65/IP67 para áreas com poeira, umidade ou lavagem;
  4. O tipo de acoplamento ao eixo (eixo passante, flange, cabo flexível) compatível com o motor existente.

Como definir a resolução ideal do encoder

A resolução do encoder, normalmente expressa em pulsos por rotação (PPR), deve ser definida de acordo com a menor variação de posição ou velocidade que o sistema precisa detectar. Portanto, não é recomendável escolher o encoder apenas com base na maior resolução disponível.

Como referência prática:

  • Aplicações de controle de velocidade e torque podem utilizar encoders na faixa de 1.024 a 2.048 PPR, desde que essa resolução atenda à dinâmica e à precisão exigidas pelo processo;
  • Aplicações de posicionamento mais preciso, como prensas, máquinas de embalagem e alguns sistemas robotizados, podem exigir 2.500 PPR ou mais;
  • Aplicações de altíssima precisão, como eixos servo, utilizam encoders absolutos multivolta com resolução na casa de milhões de contagens por volta.

Esses valores são apenas referências. A resolução adequada depende de fatores como velocidade mínima e máxima do eixo, precisão requerida, tempo de resposta do sistema, frequência máxima de entrada do inversor e forma de contagem utilizada pelo equipamento.

Uma resolução excessiva pode aumentar o custo do encoder e gerar uma frequência de pulsos superior à capacidade de leitura da placa ou do inversor, sem proporcionar ganho real de desempenho. 

Por outro lado, uma resolução muito baixa pode comprometer a qualidade da realimentação, principalmente em baixas velocidades, reduzindo a estabilidade e a precisão do controle.

Por isso, a resolução do encoder deve ser especificada de acordo com a velocidade máxima do eixo e com a frequência máxima aceita pela entrada de realimentação do inversor. A relação pode ser verificada pela fórmula:

Frequência de pulsos (Hz) = rotação do eixo (rpm) × resolução do encoder (PPR) ÷ 60

Por exemplo, um encoder de 2.048 PPR operando a 3.000 rpm gera uma frequência de aproximadamente 102,4 kHz por canal:

3.000 × 2.048 ÷ 60 = 102.400 Hz

Antes da especificação, também é necessário verificar como o fabricante do inversor define PPR, pulsos e contagens. 

Em leituras por quadratura, o equipamento pode considerar as bordas dos canais A e B, resultando em uma quantidade de contagens por volta superior ao valor nominal informado pelo encoder.

O impacto do encoder na precisão dos processos automatizados

Em linhas automatizadas, pequenos erros de sincronismo entre motores se acumulam ao longo do processo. Um encoder bem especificado corta esse acúmulo de erro na fonte: cada motor da linha responde ao seu próprio feedback em tempo real, mantendo a relação de velocidade e posição entre os eixos dentro da tolerância definida pelo processo, seja em uma esteira, uma linha de corte e vinco, ou uma prensa multieixo.

O resultado direto costuma aparecer em três indicadores de chão de fábrica: redução de refugo por desalinhamento, menor tempo de setup (já que a posição real é conhecida a cada partida) e menor incidência de paradas não programadas por perda de sincronismo.

Como escolher um inversor de frequência com encoder

Na hora de especificar, avalie:

  • Compatibilidade de hardware: confirme se o inversor aceita cartão de encoder para o protocolo do sensor que sua aplicação exige;
  • Capacidade de controle vetorial com encoder (closed loop): nem todo inversor com entrada de encoder executa controle vetorial fechado de fato — alguns apenas leem velocidade para monitoramento;
  • Torque em velocidade zero: exija essa especificação no datasheet se a aplicação sustenta carga parada;
  • Suporte técnico e disponibilidade de peças: encoder e cartão de realimentação são itens críticos, tenha fornecedor com estoque e suporte local;
  • Custo total de propriedade: compare não só o preço do conjunto inversor + encoder, mas também ganhos de eficiência energética e redução de parada não programada ao longo da vida útil do equipamento.

Perguntas frequentes sobre inversor de frequência com encoder

Qual é a função de um encoder?

O encoder converte movimento mecânico:  rotação ou deslocamento linear  em sinal elétrico digital ou analógico, permitindo que um controlador (CLP, inversor ou servo drive) calcule velocidade, posição, direção e número de rotações de um eixo em tempo real.

Qual é o melhor inversor de frequência?

Não existe um “melhor” inversor de frequência de forma isolada: a escolha depende da potência do motor, do tipo de carga (torque constante, quadrático ou variável), da necessidade ou não de controle vetorial com encoder, e dos protocolos de comunicação exigidos pela planta (Modbus, Profinet, EtherNet/IP, entre outros).

Como ligar um encoder?

De forma geral, o encoder é fixado no eixo do motor (por acoplamento direto, flange ou cabo flexível) e seus fios de sinal e alimentação são conectados à entrada de encoder do inversor ou CLP, respeitando a tensão de alimentação do sensor e usando cabo blindado com aterramento adequado para evitar interferência eletromagnética.

Qual a diferença entre um inversor de frequência e uma soft starter?

O inversor de frequência controla continuamente a velocidade do motor durante toda a operação, variando tensão e frequência de saída. Já a soft starter atua apenas na partida e na parada, reduzindo a tensão aplicada ao motor para suavizar picos de corrente, mas sem controlar a velocidade do motor durante o regime permanente de funcionamento.

Conclusão

O inversor de frequência com encoder existe para resolver um problema específico: garantir que a velocidade, a posição e o torque programados sejam exatamente os entregues ao processo, mesmo sob carga variável ou em velocidade zero. 

Ele não substitui o inversor sensorless em toda aplicação,  mas, onde precisão e repetibilidade são críticas, é a diferença entre um processo estável e um processo que gera refugo, parada e retrabalho.

Antes de especificar, mapeie a criticidade real do seu processo, o tipo de encoder e a resolução necessária, e confirme se o inversor escolhido de fato executa controle vetorial em malha fechada , não apenas leitura de velocidade. Feito isso, o investimento em encoder se paga em eficiência, segurança e menos tempo de máquina parada.

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Edilson Cravo

Engenheiro de Aplicação da KALATEC, 25 anos de experiência com mais de 5000 visitas únicas em Indústrias. Especializado em Automação Industrial pela USP e MAUÁ. Atuei em projetos no Instituto Nuclear Brasileiro, Embraer, Rede Globo, USP (Projeto Inspire) entre outros.

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