Rami 4.0: entenda o modelo, suas vantagens e como aplicá-lo
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Rami 4.0: entenda o modelo, suas vantagens e como aplicá-lo

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(Fonte da imagem: https://industry40.co.in/rami-reference-architecture-model-industry-4-0/)

Com o crescimento do advento da Indústria 4.0, surgiu a necessidade natural de se criar normas e padrões para orientar desde as etapas de projetos e protótipos até a finalização de produtos.

Afinal, o uso de tecnologias que estão em constante evolução aliado a automatização de sistemas exige um direcionamento para que as empresas alcancem o tão desejado aumento de produtividade.

A arquitetura RAMI 4.0 vem de encontro a essa necessidade do mundo corporativo, ajudando a harmonizar toda a cadeia produtiva, formando um ecossistema digital. Com as suas soluções de conectividade, ela insere as indústrias em um ambiente cibernético, de forma estruturada.

Descubra neste artigo do que se trata o RAMI 4.0, quais seus benefícios, como aplicá-lo e muito mais!

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O que é RAMI 4.0?

RAMI 4.0 é um modelo de referência que busca padronizar aplicações da Indústria 4.0, tendo como principal diretriz a conectividade dos sistemas. Sua proposta é direcionar projetos e implantações da manufatura avançada.

A sigla significa Reference Architectural Model for Industrie 4.0, que pode ser traduzido como Modelo de Referência para Arquitetura da Indústria 4.0.

A aplicação desse conceito é fundamental para que as empresas desenvolvam e implementem novos projetos adequadamente e padronizem a sua comunicação.

Em outras palavras, o RAMI 4.0 é um mapa que mostra como abordar a questão da Indústria 4.0 de forma estruturada, garantindo que todos os participantes envolvidos nas discussões se entendam.

Os três eixos de aplicação do RAMI 4.0

O RAMI 4.0 define todos os aspectos cruciais da indústria moderna. Com a complexidade das inter-relações, tornou-se necessária uma divisão em três grupos mais simples, também chamados de eixos ou níveis:

Hierarquia

Os níveis de hierarquia do IEC 62264 formam um eixo horizontal, que também é composto por TI corporativo e padrões internacionais para sistemas de controle.

Esses níveis de hierarquia representam as diversas funcionalidades dentro das fábricas 4.0, incluindo os produtos finais e a conexão com a Internet das Coisas (IoT).

A estrutura da Indústria 3.0 era baseada em hardware, com funções vinculadas a ele, comunicação fundamentada em hierarquia e com o produto isolado.

Agora, na realidade 4.0, os sistemas e máquinas são flexíveis, com funções distribuídas em toda a rede, com os participantes interagindo e se comunicando nos níveis de hierarquia, e com o produto integrado à essa mesma rede.

Arquitetura

Esse eixo descreve seis camadas verticais que se referem ao fluxo de dados do processo produtivo industrial, suas interfaces e formas de uso.

A arquitetura tem o papel de transcrever dados físicos para informações inteligíveis que serão usadas para elevar a eficiência das operações. Assim, é feito um mapeamento virtual das máquinas, com auxílio da TI, baseado nessas camadas:

  • Negócios (Organização e Processos);
  • Funcional (Funções dos Ativos);
  • Informação (Dados Necessários);
  • Comunicação (Acesso à Informação);
  • Integração (Transição dos dados físicos para o digital ou lógico); e
  • Ativos (objetos físicos no mundo real).

Ciclo de Vida

Esse é o eixo horizontal do RAMI 4.0, que gerencia o ciclo de vida de um produto, desde a sua idealização até o seu desenvolvimento, passando pelos testes, fabricação, acabamento e assistência técnica.

Engloba projetos, simulações, uso de tecnologias, elaboração de manuais, definição de lote e tempo de garantia, entre outros fatores determinantes para o sucesso do negócio.

Esse nível também é conhecido como “fluxo de valor”, se baseia na IEC 62890 e sempre leva em consideração a segurança em todo o ciclo de vida dos produtos.

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Principais vantagens do RAMI para indústrias

  • O principal benefício do RAMI 4.0 é que ele ajuda a padronizar o trabalho da indústria, integrando diferentes áreas para que visualizem e tirem proveito das tecnologias da Indústria 4.0;
  • O modelo de referência é importante para o cumprimento e a criação de normas que direcionam e regulam os processos de produção;
  • Ajuda a desenvolver novos modelos de negócios, compatíveis com a modernização global e essenciais para o desenvolvimento de todos os setores;
  • Combina elementos e componentes de TI para proteger o grande volume de dados das redes industriais;
  • Esta arquitetura orientada ao serviço divide sistemas complexos em conjuntos de processos mais compreensíveis.

Como aplicá-lo em projetos de sistemas industriais?

Na prática, você pode desenhar a automação de sua fábrica de forma descentralizada, interconectando todos os dispositivos e equipamentos da sua linha de produção.

Depois é preciso criar os componentes de I4.0, que são conjuntos de objetos situados nos três grupos do RAMI, que formam uma semântica de dados e controle. Após isso, deve ser indicado como será realizada a intercomunicação de cada conjunto, como serão obtidas as informações e como serão controlados.

Depois é preciso configurar o sistema para que ele seja flexível, ou seja, passível de personalização, e interoperável dentro dos três eixos do RAMI. Assim a produção pode ser customizada da forma que for mais conveniente.

Modelos alternativos ao RAMI 4.0

Vimos que o RAMI usa uma arquitetura para organizar as informações da indústria. Mas existem ainda outros modelos de referência, que podem se complementar, como:

  • SGAM Layer-Model (Smart Grid Architecture Model);
  • IoT-SRA (Internet of Things Strategic Research Agenda);
  • I40 Business Model Architectural Model;
  • I40 Platform Architectural Model;
  • I40-Integration-Topology Model; etc.

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Edilson Cravo

Edilson Cravo

Engenheiro de Aplicação. 22 anos de experiência com 5000 visitas únicas em Indústrias. CMO da Kalatec Automação. Especialista em Controle e Automação (USP). Engenharia de Processo (MAUA) - Gestão de Inovação (ESPM) - Gestão de PME (FGV) e MBA em Vendas (PUC). Foi consultor de projetos no Instituto Nuclear Brasileiro, Embraer, Rede Globo e USP (Projeto Inspire).

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